Domingo, 27 de julho de 2003 - Site Cultural Muito - www.muito.com.br
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'4:48
Psicose' acerta em
abrigar a Swift,
mas cai em
suas próprias
armadilhas
Dirigido por Nelson de Sá,
espetáculo mostra pouca
clareza e objetividade, em roupagem tecno e industrial
Por Marcus Vinícius Gabriel.
Especial para o
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Tanta expectativa gerada, e
o espetáculo “4:48 Psicose”, dirigido pelo ensaísta da
Folha de S.Paulo, Nelson de Sá,
serviu de recheio para as instalações piramidais da Swift, ontem. Aliás,
tudo aquilo que gira em torno da Swift (um presente do passado ao
futuro artístico de Rio Preto) tende a ser o fórceps das criações
teatrais. E culturais como um todo.
Mas “Psicose” sofreu para dar o recado. Não foi fácil. Foi árduo crescer em espírito e forma, diante de problemas sérios de acústica e acomodação de público, no local. A dramatização cênica, fincada na interpretação cerebral dos atores Luiz Päetow e Gabriela Flores (Cia. coletivo1, de São Paulo), fez uma releitura sobre uma relação conflitante entre uma paciente e seu médico, ambos em processo de loucuras longitudinais. Neste enredo, a cenografia partiu para recursos audio-visuais (uma tendência forte, a crescer mais ainda nas produções), como uma trilha densamente tecno e industrial, projeções nas estruturas laterais da ex-fábrica de óleo. Com toda a clareza, é correto e justo efervescer a Swift dessa forma. Cabe perfeitamente. A poesia da Swift é incomum e adjascente. Um mérito. Mas o espetáculo pecou por crueza de mais e objetividade de menos. Gabriela e Luiz tentaram, em esforços díspares, mostrar o conflito entre o lado bom e ruim da vida, os extremos entre a ausência do sentimento e a medicação inconsequente, o suicídio como solução para o desespero. Tudo o que ela queria, para não se matar, era a “amizade” de seu médico. Incompreendida por ele, resulta em uma fábula irônica sobre o final da vida, sem a decência e moral, sem inteligência captada. Encenada à tarde, o espetáculo caberia melhor à noite. Técnicas de iluminação merecem destaques, mas que ficariam mais evidentes com a Swift inteiramente às escuras. Maior atenção recai à atriz Gabriela Flores, um potencial a ser melhor explorado. Päetow mostra pouca emoção com o personagem. Nelson de Sá imprime uma linguagem tecno e remete, muito implicitamente, ao contundente “Corra, Lola, Corra”(filme alemão de 1999, também com roupagem tecno). Com esse título, faltou Hitchcock, claro. Ainda necessita polir a narrativa, com chances de impressionar mais. ........................................................ Marcus Vinícius Gabriel, 33, é publicitário em
São José do Rio Preto / SP.
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