Domingo, 27 de julho de 2003 - Site Cultural Muito - www.muito.com.br

 


 

 

FIT termina hoje com uma
mega-produção de 5 horas e
densidade em elenco e direção
 
Sucesso de público e crítica, elenco de primeira e debutando
Monique Gardenberg no teatro, "Os Sete Afluentes do Rio Ota"
encerra temporada com chave de ouro
 
Por Marcus Vinícius Gabriel. Especial para o www.muito.com.br 
Fotos exclusivas do site
 
  
Não poderia se diferente, ou menos digno. No último dia de sua grande história de 10 dias, o FIT recebe hoje a luz de “Os Sete Afluentes do Rio Ota”, espetáculo concebido com a competência de Monique Gardenberg, premiada diretora de filmes e vídeos, agora em sua “primeira vez” na linguagem teatral.
Monique se une à Michele Matalon para conduzir 14 atores e mostrar, através da epopéia atômica na cidade japonesa de Hiroshima, uma feição de perdas, devastação, sobrevivência e renascimento. Coloca pessoas de várias partes do mundo em contato com o cenário catastrófico da cidade, suas ruínas e feridas. O espetáculo “reconstrói” Hiroshima, assim como a própria história da cidade delineia o enredo. Neste caso, o rio Ota foi o ponto central pelos americanos, no episódio da bomba.
Vão chamar à atenção o tempo da peça (em torno de 5 horas), a megaprodução (com ares tecnológicos raramente vistos em produções teatrais), direção de arte, figurinos e cenários. Há um trabalho corporal denso e rico, assim como o musical. Monique destaca-se pela agilidade em convergir detalhes em um protótipo de teatro moderno e fiel, ao original do canadense Robert Lepage. O Teatro Municipal de Rio Preto torna-se um tapete vermelho para receber o espetáculo. E vice-versa.
O super-elenco merece comentários à parte. Os destaques reluzentes são para Giulia Gam (vivendo um bom momento televisivo em “Mulheres Apaixonadas”), Beth Goulart (atriz de primeiro time), Maria Luisa Mendonça (uma das mais versáteis atrizes da nova geração) e Caco Ciocler (com grandes trabalhos em cinema). Completam a saga, Madalena Bernardes, Helena Ignez, Lorena da Silva, Julia Barreto, Pascoal da Conceição, Charly Braun, Jiddu Pinheiro, Daniel Tendler, ThierryTremouroux, Felipe Kannenberg e Gilles Gwizdek.
Em todo ele, a interpretação de Caco Ciocler merece olhos especiais, assim como o tripé iluminação, cenário e figurinos. Nestas áreas, recebeu 5 indicações para o Prêmio Shell. A peça estreou em outubro do ano passado, no Rio de Janeiro. Desde então, vem arrebatando um público inquestionável em todos os lugares por onde passa.
“Os Sete Afluentes do Rio Ota” é dividido em 7 partes. Na primeira, Beth Goulart e Caco Ciocler mostram movimentos corporais, em “Fantasias”. Na segunda, “Jeffreys”, onde Ciocler contracena com Jiddu Pinheiro. Em “Um Casamento”, Giulia Gam entra em cena, com Helena Ignez, num show de interpretações. Em “Palavras”, o ator Pascoal da Conceição traduz de forma engraçada trechos em outras línguas. Um momento peculiar. Após, vem “A Entrevista”, onde a ficção e realidade se cruzam. Neste quadro, Beth Goulart interpreta uma jornalista. Em "Espelhos", uma recordação nos transporta para um campo de concentração em 1943.
"O Trovão", sétimo e último episódio retrata a história de Hanako (a brilhante Maria Luisa Mendonça), viúva de Jeffrey Yamashita, mãe do publicitário David (Jiddu Pinheiro) que hospeda o jovem Pierre Maltrais (Felipe Kannenberg), que estuda Butô em Hiroshima, e fecha o circulo do espetáculo.
 
São inesgotáveis as leituras possíveis de cada um dos sete episódios, mas a marca deixada pelo espetáculo é de invariável precisão. "Os Sete Afluentes do Rio Ota" deixa questões fundamentais para seus espectadores ao mostrar possibilidades diversas de renascer das cinzas. Chave de ouro, no encerramento. 

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Marcus Vinícius Gabriel, 33, é publicitário em

São José do Rio Preto / SP. mvgprop@unorpnet.com.br

 


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