Segunda, 28 de julho de 2003 - Site Cultural Muito - www.muito.com.br

 


 

 

Em três mulheres,
três inflexões ao universo
globalizado de 'Rio Ota'
 
Saiba mais de Monique, Giulia e Beth, o lado criativo e mágico do
espetáculo que fechou o Festival Internacional com chave de ouro
 
Por Marcus Vinícius Gabriel. Especial para o www.muito.com.br 
 
Elas são três e parte integrante do espetáculo que fechou o FIT. "Os Sete Afluentes do Rio Ota" revela o talento dessas mulheres, que encabeçam o trabalho, entre concepção e desenvolvimento.
 
Por si só, é uma conquista leal da diretora Monique Gardenberg. De currículo extenso e mais ligada às produções em cinema e vídeo, acumula em sua criva a organização de 18 edições do Free Jazz Festival e nove, do Carlton Dance. Inovou a imagem de Caetano Veloso no fervente clipe de “Não Enche”. Dirigiu um curta premiado em 1992 (”Diário Noturno”) e um longa bem recebido, “Jenipapo”, em 1996.
 
Para seus próximos projetos em cinema, em caráter inédito, diz querer pesquisar sobre o universo gay e adequá-lo à linguagem cinematográfica. Em contrapartida, também quer buscar elementos de informação sobre as terapias alternativas e religiões. “Gosto de temas polêmicos”, diz. Antenada, ressalta o bom momento da cena musical brasileira, principalmente o moderno recriado entre a música eletrônica e ritmos nacionais. “Chico Corrêa, na Paraíba, é um nome a ser ouvido”.

"Rio Ota" foi concebido em um mês e meio, entre produções e ensaios. Monique e Michele Matalon vivenciaram problemas para manutenção do elenco, devido a encaixes de agendas de cada um dos atores. Foi uma engenharia estratégica. “Rio Ota” é um teatro que alimenta a perfeição, entre cada detalhe. O texto de Robert Lepage propõe a “não-encenação”, para graduar melhor a mensagem do espetáculo. E Monique partidariza disso. Dividiu com os atores a criação do todo.

Experiente e integrada em produções de peso, Monique mostra contentamento em seu ‘novo prazer’. Debutar na direção teatral é uma missão transgressora, mais difícil, “pois se brinca com a verdade,pura verdade”, diz. “No cinema é uma série de mentirinhas para virar uma verdade. O desafio do teatro é maior, mais forte. Já produzi para teatro, mas direção é outra história”. Não levaria "Rio Ota" para o cinema, por prever que não “ficaria bom”.

Monique Gardenberg comemora seus 45 anos de vida hoje, e diz que um grande fato curioso sobre as apresentações do espetáculo é a “diversificação de receptividade”, com relação aos públicos em si. “O público de São Paulo foi maravilhoso em nossa temporada. Em Curitiba, tivemos um público mais acostumado em festival e isso ajuda muito. No Rio de Janeiro, onde estreamos, a resposta foi um pouco menos quente. Mas faz parte”, conta. Diz estar feliz por ter trazido o espetáculo a Rio Preto. Sente que o público daqui é como o de Curitiba. É o seu presente de aniversário.

Numa das pontas da peça, Giulia Gam. Aos 36 anos, nascida em Peruggia (Itália), veio para o Brasil bem menina. É uma das atrizes que melhor codificaram uma carreira lançada no que há de mais contundente e nada convencional em termos teatrais. Foi “gerada” em Gerald Thomas e Antunes Filho, representantes do teatro de pesquisa, laboratorial, denso e formador de verdadeiros atores. Extremamente acessível, é a favor da “proximidade entre público e artista”.
Giulia é uma mulher madura, mas conserva uma face singela e quase infantil. Encanta pelo sorriso, simpatia e profissionalismo.

É a primeira vez que Giulia pisa num palco rio-pretense. Sua família é de Penápolis, proximidades de Rio Preto. Confidenciou-me estar vivendo uma fase “honrada”, multiplicada pelos dois trabalhos em teatro e na TV, onde interpreta a intempestiva Heloísa, em “Mulheres Apaixonadas” (Rede Globo). A repercussão de seu trabalho televisivo é grande e tem sido encarada como uma fase grata em sua vida profissional.

“Me senti muito feliz com o convite do Manoel Carlos, um autor em que todos respeitam muito. O melhor de tudo é fazer o que mais gosto. Essa correria entre gravações e as apresentações no teatro são complicadas, mas é exatamente isso que me dá prazer. É nisso onde me motivo. Não me canso. Pelo contrário, me faz pensar em coisas boas”, afirmou ao site. É um ‘casamento’ pelo qual Giulia se diz bem à vontade.
Em “Rio Ota”, vê uma sequência do que já desenvolveu com Antunes e Gerald. “É uma vivência que muito, pois é um teatro de pesquisa, laboratório e me sinto bem assim”, diz.

Ao contrário do momento profissional, Giulia Gam sequenciou uma série de problemas pessoais, provenientes de sua separação conjugal. Foi casada com o jornalista da Rede Globo, Pedro Bial e tem um filho. Entre o desgaste emocional causado pela disputa da guarda do filho Theo, a atriz diz que não se incomoda por expor sua vida pessoal. “Acho que foi até bom ir à mídia falar sobre isso tudo. Afinal, era estranho para as pessoas conceberem porque uma mãe perdeu a guarda do seu filho. Me senti bem ao dizer como tudo aconteceu. Mas cada revista tem seu contexto, claro. Uma explora o fato diferente da outra e entendo isso. O importante é estar bem”, concluiu.

Para Elizabeth Miesso, verdadeiro nome da atriz carioca Beth Goulart, um dos destaques da peça. Seu último e mais recente trabalho em TV foi na novela “O Clone”, onde interpretou a possessiva Lidiane. Mas é no teatro onde sente-se “em casa”. Seu grande e maior sonho é ter um espaço “todinho seu, mas também de todos”, para desenvolver um centro de pesquisas teatrais e engajar a classe como um todo. Beth vê o teatro como um instrumento de união e aprendizado. “Eu estou trilhando essa meta e um dia vou conseguir”, afirma a atriz.
Essas mulheres e suas capacidades mágicas...

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Marcus Vinícius Gabriel, 33, é publicitário em

São José do Rio Preto / SP. mvgprop@unorpnet.com.br

 

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