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"NADA DE PÂNICO" - CRÔNICA Por Artur de Carvalho - www.votuporanga.com.br/artur
Eu não sei se você já viajou de avião. Mas não tem problema. Mesmo quem não passou pela terrível experiência já deve ter ouvido histórias de quem já se arriscou. Ou, pelo menos, já se pegou imaginando como deve ser a coisa. Tudo ali dentro da cabine pressurizada de um avião parece estar por um fio. Desde o precário equilíbrio entre a aerodinâmica das asas e a lei da gravidade, até o estômago dos envolvidos na viagem. Qualquer atividade diferente, qualquer barulho estranho, já é motivo de especulações. E é por essas e outras que toda a tripulação de um avião é sempre alertada para não deixar ninguém entrar em pânico. Mesmo se um motor parar. Mesmo se os dois motores pararem. E até mesmo se... - Capitão. O senhor pode vir aqui por um momento. - O que foi? - Eu já estou entrando em pânico. - Psshhhh... Não fala essa palavra aqui dentro. O que foi? - Aqui, na cozinha. - O que é? - Ali. Tá vendo? - Não. - Olha o rabinho ali, se mexendo. - Mas o que é aquilo? - Um rato. - Um rato?!? - É. Um rato. - Mas o que é que um rato está fazendo no meu avião? - Não sei. Mas a gente precisa pegar. Já imaginou se esse rato sai correndo aí, pro meio dos passageiros? Vai ser o maior pânico. - Psshhhh.... - Certo, certo. Mas então. O que a gente faz? - Faz o seguinte. Você cutuca ali, com a vassoura. Na hora que ele sair, eu “plosh” nele. - Plosh? - É. Eu piso nele. Pode deixar. E foi o que fizeram. Ela cutucou. O rato correu. E plosh. A aeromoça não aguentou: - Ai, que nojo! Acho que vou vomitar. - Calma... Não entre em pânico. - Psshhhh... O capitão, orgulhoso, voltou para o seu posto. A aeromoça, arrumando os cabelos, voltou a atender os passageiros. Mas não demorou muito, e lá estava ela de volta. - Capitão? - O que foi agora? Vai dizer que apareceu outro...? - Não, não. É... hã... outra coisa. É essa passageira que quer falar com o senhor. - Pois não. - O senhor é o capitão? - Sim, senhora. - Sabe o que é? A gente sabe que é proibido, mas o meu filhinho insistiu tanto que... - Que o quê? - Bem, ele tem um amiguinho, sabe? E a gente acabou trazendo ele aqui pra dentro... - O seu filho trouxe um amiguinho pra dentro do avião?!? - É. E agora o danadinho sumiu. E pode estar aí, no meio de todo mundo. - Hum, sei... - o capitão coçou o queixo - E como é esse amiguinho do seu filho? - É um ratinho. Desses brancos, sabe? O meu filho não vive sem ele...
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