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ENTREVISTA COM HUMBERTO SINIBALDI NETO Parte 1 Matéria exclusiva do site www.muito.com.br
Devido à extensão da entrevista com Humberto Sinibaldi Neto, nome dado ao Teatro Municipal de São José do Rio Preto em sua homenagem, resolvemos dividí-la em quatro partes. A entrevista completa revela a grande importância desta personalidade e sua considerável visão do teatro atual, principalmente na cena cultural da cidade. Em formato de frases ditas pelo entrevistado, o leitor poderá envolver-se em um tom menos formal diante das palavras experientes de Humberto. .................................................... Humberto Sinibaldi Neto:
O sonho da construção do teatro vinha desde o início do século quando foi criada uma sociedade, a “Sociedade dos Amigos do Teatro”, com a finalidade de comprar um terreno e construí-lo. Essa sociedade era "por cotas": você comprava essas cotas e tinha direito segundo às normas que seriam adotadas futuramente com a conclusão do teatro. Esse terreno foi comprado onde hoje funciona a Telefônica, em frete ao fórum. A sociedade continuou a angariar fundos para o início da construção, mas futuramente esse terreno, não se sabe como, foi vendido para particulares, assim podemos dizer que desde o iíicio do século já se pensava na construção de um teatro em Rio Preto, aproximadamente na década de 20. Mesmo não efetivando a construção, Rio Preto continuava a receber as companhias de teatro, sendo os espetáculos apresentados sempre nos cines-teatros. Desta forma recebemos grandes concertos. Cito como acontecimento da época, muito comentado, a vinda da maestrina da Itália que era uma garotinha que se tornou famosa por reger a orquestra. Recebemos na época grandes cantores líricos, as principais companhias de teatros-revistas, o teatro dramático. Eu entrei no movimento ainda jovem quando estudava no Instituto de Educação Monsenhor Gonçalves. Na ocasião eu dirigia alguns alunos da classe, e fazíamos shows com o intuito de arrecadar fundos para nossa viagem de fim-de-ano, isso em 1954. Passado esta época, saí de Rio Preto, fui estudar fora. Nas férias reuníamos uns grupos de amigos e fazíamos um show no Automóvel Clube de Rio Preto, chamado de o “Show da Caveira”, e foi num desses shows que surgia a bossa nova, surgia Elis Regina, Alaíde Costa, Toquinho, Jair Rodrigues. O Walter Silva, que dirigia os grandes festivais da Rede Record, é quem trazia todos esses nomes. Então nós fazíamos junto com essas apresentações a Mostra de Teatro, realizado em julho, pois era a época de férias. Na época de universitário e Uberaba/MG, também me envolvi com o movimento teatral. Quando retornei a Rio Preto, em 1964, comecei a me inteirar sobre o movimento de teatro amador de Rio Preto. Por volta de 1965, eu era o presidente da comissão estadual de teatro Nagib Elchmer, que foi o responsável pela construção das maiorias casas de espetáculos no interior do estado de São Paulo. Tínhamos na época a Secretaria de Esporte, Cultura e Turismo que, em parceria com as prefeituras municipais, lançou a pedra fundamental de vários teatros como o de Santo André, Sorocaba, São Carlos, Ribeirão Preto, Catanduva, etc. Esta parceria funcionava. Assim o Governo Estadual, através de suas Secretarias, ofereceram a planta do teatro, destinaram parte da verba. A Prefeitura completou o orçamento e construiu o teatro. |
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