ENTREVISTA COM HUMBERTO SINIBALDI NETO

Parte 3

Matéria exclusiva do site www.muito.com.br

 

Humberto Sinibaldi Neto:

 

A Contaesp - Confederação de Nacional de Teatro - era responsável por receber os recursos do governo e repassar às federações regionais. Esse repasse era previsto na forma de lei que obrigava o investimento no teatro e com uma parcela destinada ao teatro amador.

Os prêmios eram oferecidos aos 1º,  2º e 3º lugares e prêmios individuais nas diversas categorias como ator, atriz, figurino, etc. Essa premiação individual eram bolsas de estudo. O sujeito poderia utilizá-la não necessariamente na área teatral, mas como em qualquer outro curso de seu interesse na USP e outras universidades.

Com o beneficio destes incentivos, vários atores como Paulo Betti, que na época militaram no teatro amador, ganharam essas bolsas, foram para São Paulo e hoje são nomes consagrados do teatro, TV, cinema.

Eu também ganhei algumas dessas bolsas, mas como era casado, tinha filhos, não pude me dedicar exclusivamente aos estudos. Fazia estágios de seis meses nas companhias e me dividia entre o estudo e as obrigações do dia-a-dia.

Esse foi um sonho de um grupo de pessoas que eu liderava junto com a Dinorah do Valle. No teatro existe o trabalho e esforço de muitas pessoas que trabalhavam em prol da realização de um sonho.

Depois de inaugurado eu fui o primeiro diretor, de 1973 a 1979. Depois saí e retornei 15 anos depois, fiquei mais quatro anos.

Neste período todo cada diretor deu sua colaboração para o teatro que sofreu algumas reformas como a transferência do camarim que era embaixo do palco e ficava abaixo do nível do esgoto. Aconteciam constantemente inundações, a porta do palco abria em cima do palco então você estava no meio de uma cena dramática e alguém batia na porta e quebrava todo o clima. Não tínhamos ar condicionado e o calor era insuportável. Então, todas as diretorias junto com os prefeitos contribuíram para o sucesso desse 30 anos do teatro do Teatro Municipal.

Entre a década de 60 e 80 foi o auge do teatro amador não só em Rio Preto, mas em todo o estado. Chegou-se a ter mais de 500 grupos de teatro amador.

Nos primeiros quatro anos da ditadura, a partir 1969, mesmo com todas a pressões da repressão, nós conseguimos fazer o espaço do teatro dentro de Rio Preto. Apesar de nos termos recebidos vistas do pessoal do SNI devido à denuncias, de pessoas infiltradas dentro do movimento, nós conseguimos fazer as coisas de uma maneira que eles nunca conseguiram entrar dentro do nosso movimento. Tínhamos uma tribuna para a resistência da ditadura militar.

Muita coisa aconteceu aqui no teatro nessa época, éramos um foco da resistência, juntamente com Londrina e Ponta Grossa/PR .

Nesta época foi inaugurado vários outros teatros no estado: São Carlos, São Bernardo. Com isso o que aconteceu, e a gente não sabe o porque, começou a decadência, a Cotaesp saiu da mão das pessoas que tinham os objetivos claros, o Carlos Pinto, que era o presidente da federação de Santos, em São Paulo, Amir Saraiva, e com alguns afastamento de pessoas diretamente ligadas ao movimento teatral começou o declínio do festival.

À medida que as cidades ganhavam suas casas de espetáculos, o movimento declinou e em Rio Preto chegou à estaca zero entre 70 e 80. Se não me engano, praticamente não tinha mais nada, as federações sumiram, desapareceram, queimaram tudo o que tinham, houve algo muito sério em todo o estado. Construíam-se teatros e o movimento teatral declinava acentuadamente, tiveram anos de não se fazer absolutamente nada.


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