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ENTREVISTA COM HUMBERTO SINIBALDI NETO Parte 4 Matéria exclusiva do site www.muito.com.br
Humberto Sinibaldi Neto:
Depois da década de 80 foi quando começou a surgir geração do Jorge Vermelho, Wander Ferreira, Ricardo Matiolli, Manoel Neves. Eles começaram a levantar novamente o movimento e aproximá-lo novamente do que era há 20, 30 anos. Tiveram cidades que não conseguiram revitalizar movimento teatral até hoje, não se sabe o porquê. Não foi questão da mentalidade criada pela ditadura porque nós tivemos quase 20 anos de ditadura, e mesmo na época do AI Cinco nós tínhamos o movimento de teatro. Sofríamos duras penas para montar uma apresentação. Era uma epopéia: primeiro você tinha que pedir a autorização pra a SBAT, Sociedade Brasileira de Autores Teatrais. Antes de você receber a autorização, você tinha que mandar o texto para Brasília, que censurava ou não textos e falas. Se tivessem cortes, voltava tudo para trás de novo e o processo retornava à estaca zero. Feito as alterações, o mesmo processo até chegar à Brasília. Lá eles distribuíam para cada estado nas mãos da policia federal que tinha sensores, que vinham até a sua cidade com contas pagas pelas companhias. Os sensores assistiam ao espetáculo e você tinha que apresentar praticamente todo o espetáculo, cenografia, figurino. Se por acaso os sensores vetassem algo você perdia todo o trabalho e dinheiro. Após a liberação pelos sensores, era feito um relatório em São Paulo e você tinha que ir pessoalmente retirá-lo na policia federal. A partir daí tudo o que você participava tinha que mandar a liberação da SBAT e a cópia da autorização de Brasília. Em cada cidade você tinha que levar autorização original e ainda assim eles mandavam alguém para checar se você não tinha alterado nada do que foi autorizado. Depois da anistia, recomenda-se que antes de começar a ensaiar um texto, deve-se solicitar o parecer da SBAT que irá dizer se o texto escolhido é de domínio publico ou é de direito de fulano de tal. A partir desse parecer, você paga, se for o caso, as taxas e eles te liberam. Aí é só trabalhar e fazer um belo espetáculo. Em 31 anos o festival foi realizado como nacional. Em 2001 foi substituído pelo Festival Internacional, no qual fui patrono. Em 2002 coordenei os debates, mas o comando mesmo destes festivais foi do SESC Rio Preto em parceria do poder público. Acho que é tudo uma questão de organização, de conceito. Esse cuidado tem que existir para que haja condições pra desenvolver a chamada produção caseira que tem que ter qualidade. As pessoas tem que ter respeito pelo público, tem que haver uma pré-seleção. Existe muita coisa boa e muita coisa equivocada e essas pessoas, apesar de equivocadas, continuam a não aceitar críticas. O telespectador que vai assistir um espetáculo ruim fica com uma imagem totalmente errada do teatro. Deve haver um compromisso do artista com o público e tentar errar menos porque errar você vai sempre, e o festival deve acontecer, caso contrário, não descobriremos estrelas. Um exemplo: no ano passado reuniram-se os grupos da cidade para fazer Artaud. A intenção foi ótima, fazer com que todos os grupos trabalhassem em cima de alguma coisa, mas não em cima de alguma coisa que está a mil anos-luz à frente da compreensão de todos. Mesmo para o cara que tem anos de janela compreender Artonund é complicado. O que aconteceu: o pessoal que realmente entrou de cabeça no negócio não chegou lá, mas foi nítido o comprometimento do artista com a proposta e respeito ao publico. Só que muita gente não teve a humildade de chegar e falar "Não sou capaz disso" e fez do jeito que fez. Deve-se dar mais atenção ao que chamei de off-Broadway, porque as grandes estrelas do festival foram decepções, com exceção dos russos e do Matheus Nasterghaele do Woizek. Outra coisa: levaram estas peças para o espaço e horário mais nobre do festival e com a apresentação de "processos" onde a reação do público foi a de que foram enganados. Aquele Hamlet foi um crime, era uma afronta para o público que pagou para ver teatro. O festival internacional é maravilhoso, só acho que tem que ser reformulado. Sempre disse e continuo dizendo: deve haver o festival nacional e o internacional, com investimentos de recursos iguais. Tem que ocorrer o mesmo tratamento, claro que o espetáculo que vem do exterior custa mais caro, mas a distância está muito grande: enquanto um ganha um, outro ganha cinco. Deve ser dado mais atenção aos grupos nacionais, pois o festival internacional só existiu porque tínhamos um história de 30 anos feito pelo teatro nacional. Em 18 anos de festival devo ter gasto R$ 1.500,00 em um espetáculo que fiz. Ainda bem que hoje existe mais recuso para investir no teatro. Vamos investir, vamos ampliar, vamos equacionar as coisas para que o teatro cresça cada vez mais. O Jorge Vermelho vem fazendo um excelente trabalho nesse dois anos, o Ganga fez um belíssimo trabalho também. O Jorge está fazendo um festival de primeiríssima linha com o que há de melhor na atualidade no teatro de comédia, e com um orçamento pequenininho. A idéia partiu dele. Temos aí uma demonstração que com um equacionamento bem feito é possível fazer muita coisa boa, e falo isso porque "Parlapatões" hoje é um dos melhores grupos do mundo. Teremos "Fulano e Siclano", "As Favoritas do Rádio", com a presença de um rio-pretense no palco, e outras inúmeras apresentações que estão no pacote do festival de comédia. Comentário 2 (25/01/2003) nome: Jary Mércio email: jarymercio@hotmail.com cidade: Campinas estado: SP assunto: Humberto Sinibaldi mensagem: O Humberto Sinibaldi é, sem dúvida, a pessoa mais importante da história do teatro em Rio Preto, cidade que teve, e mais recentemente voltou a ter, grande importância na história do teatro brasileiro contemporâneo. O depoimento do Humberto ao Muito faz referência a apenas alguns nomes que contribuíram ou hoje contribuem para a grandeza dessa história, eis que não tem a pretensão de ser um memorial completo do tema, assunto, talvez, para a a grande Dinorath do Valle, que, além de ser amante da história da cidade, foi ativa participante do movimentio teatral de Rio Preto. Entretanto, permitam-me lemgbrar aqui pelo menos três nomes que deveriam ser mencionados sempre que se falar na história do teatro em Rio Preto: Romildo Sant'Anna, Luís Carlos Bardari e, last but not least, o falecido Nelson Castro. Já dos nomes mencionados por Humberto, creio que o mais imnportante deles na história do teatro da cidade é o de Vendramini, por sua atuação como autor, ator, diretor e um dos principais animadores do então Festival Nacional de Teatro Amador de Rio Preto, hoje Festival Nacional e Internacional e não mais "amador", nome que, aliás, nunca coube direito no evento, que abrigava desde produções francamente amadorísticas até espetáculos que suplantavam a maioria das chamadas produções profissionais do Brasil, mostrando, de quebra, os trabalhos mais vanguardistas, radicais e originais que se fizeram no País. Parabéns pelo site. Jary Mércio Almeida Pádua Comentário 1 (22/01/2003) nome: Jorge Vermelho email: jorgevermelho@bol.com.br cidade: São José do Rio Preto estado: SP assunto: Entrevista do Humberto mensagem: A respeito do Festival de Comédia, acho legal dizer que é a força de várias ações que tornaram possível sua realização. A Secretaria de Cultura, enquanto realizadora oferece condições para que nós, agentes culturais, possamos coordenar estes projetos. Faz parte do Programa Cultural do Governo Progressista essas ações que visam popularizar o teatro em nossa cidade. |
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