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PLÍNIO PACHECO Homenageado no Janeiro de Grandes Espetáculos - Recife / PE Fonte: http://www.guianortenordeste.com.br Este ano, o Festival "Janeiro de Grandes Espetáculos" 2003 homenageia Plínio Pacheco, idealizador do sonho de pedra e fé: Nova Jerusalém. "Quando os refletores se apagarem nos tempo e o calor dos aplausos se diluir com o silêncio milenar das montanhas que nos cercam, aqui estaremos nas histórias dos que ficam e nas lendas dos que virão." (Plínio Pacheco)
A História da Paixão No começo tudo não passava de um sonho. O que era um conjunto de pedras formando montanhas transformou-se numa cidade de 70 mil metros quadrados, cercada de muralhas e sete grandes portas. São setenta colunas de sete metros de altura que guardam palácios e templos. Na terra árida e dura nasceu uma réplica da Jerusalém de dois mil anos atrás. Em uma região onde não havia ninguém, todo ano reúnem-se centenas de sertanejos que ajudam a construir um sonho. Os camponeses, homens rudes e analfabetos, transformam-se em atores. O idealizador da Paixão, Plínio Pacheco, é um desses sonhadores que surgem de vez em quando no mundo com a missão de marcar, com grandes idéias e empreendimentos, a presença do homem na terra. Construir o maior teatro ao ar livre do mundo para encenar o espetáculo universal da Paixão de Cristo custou-lhe sacrifícios, sofrimento, tristezas, mas também proporcionou-lhe alegria, paixão, obstinação e muito amor à arte.
Quando pisou pela primeira vez na Vila de Fazenda Nova, para assistir um espetáculo teatral promovido pelo comerciante Epaminondas Mendonça e sua família encantou-se pelo lugar e nunca mais saiu de lá. Na época era um sub-oficial da Aeronáutica por profissão e jornalista por paixão. O amor por Diva, uma das filhas do comerciantes o enraizou de vez na região. O espetáculo de Fazenda Nova foi encenado pela primeira vez em 1951 pelo casal Epaminondas e Sebastiana Mendonça, seus filhos Luiz, Paulo, Geni, Margarida, Berenice, Nair, Naná, José e Diva e mais alguns moradores do lugar. Em 1953, o drama já contava com a participação de artistas do Recife como Clénio Vanderley e Otávio Catanho. Em 1954, o espetáculo ganhou um novo visual com o figurinista Victor Moreira. A cada Semana Santa a Paixão ganhava fama, público e novos profissionais. Em 1956 Plínio levou num vagão alugado da Rede Ferroviária Federal, vinte jornalistas para conhecer de perto o espetáculo. Nessa época José Pimentel, que foi o Cristo por décadas, já andava por lá trabalhando e liderando grupos de atores e figurantes. Drama da Paixão de Cristo A encenação do espetáculo da Paixão de Cristo na Nova Jerusalém é a única do gênero em todo mundo. É um espetáculo móvel que acontecendo em treze diferentes palcos e platéias, onde cada espectador, acompanhando o desenrolar das cenas, se transforma em um participante do grande drama da cristandade, a Paixão e Morte de Jesus. A Nova Jerusalém equivale a um terço da área murada da cidade de Jerusalém no tempo de Cristo. Na Semana Santa, da véspera do Domingo de Ramos até o de Páscoa é encenado o drama da Paixão. São quinhentos atores que revivem os últimos dias de Jesus em sessenta cenas de realismo e beleza. A cada nova edição são trazidas grandes estrelas da televisão e teatro brasileiro para os papéis principais. Efeitos de som, luz e show pirotécnico garantem ainda mais realismo a cenas como a ascensão de Cristo. Caminhos da Paixão O caminho a ser percorrido até Nova Jerusalém é um dos mais agradáveis roteiros do Estado. Até lá, o viajante pode parar em cidades como Caruaru, Taquaritinga do Norte, Gravatá e Garanhuns, dentre outras. Por todo percurso há várias atrações e bons restaurantes, tanto de cozinha regional quanto os de especialidade suíça, com os fondues de Gravatá. O caminho tem ainda as cachoeiras em Bonito e a variadíssima Feira de Artesanato em Caruaru. Nessa região o que mais agrada é o clima, sempre na casa dos vinte graus, que se alia à tranquilidade local para proporcionar bons momentos de lazer. Esse sossego serve de equilíbrio, já que Fazenda Nova nos dias de encenação assiste ao vai vem de cerca de 70 mil pessoas, público estimado durante a temporada. Eles lotam bares, hotéis e pequenos restaurantes próximos ao teatro. A cidade cenográfica foi construída na cidade de Brejo da Madre de Deus a 200 Km da capital pernambucana. A festa da Semana Santa é vivida intensamente em todo município. Ocorrem nesse período manifestações de um folclore já quase esquecido. Uma delas é a Malhação de Judas, onde um grupo de pessoas preparam um Judas para rasgar, em meio a algazarra. No Sábado de Aleluia há também a Serração dos Velhos, que consiste em escolher na comunidade um velho ou uma velha ranzinza, para fazer a serração em frente a sua casa até que o velho apareça para ralhar com as pessoas. Paralelamente na praça principal ocorrem manifestações profanas com trio elétrico, palhoção com músicas e dança. Bares são montados com a típica gastronomia da Semana Santa, como o feijão de coco, brêdo, bacalhau ensopado, peixe e umbuzada. |
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