Nathália Dalbert

  • Desenvolvimento Trabalho de Conclusão de Curso 1:13 pm | 6 Oct
    Novas mídias: o novo modelo de comunicação, o “ser” mídia e a reputação.


    Capítulo 1 – Da nova mídia: velhos e novos modelos de comunicação.
    O que é o virtual?
    O que é nova mídia?
    Velhos modelos de comunicação x novos modelos de comunicação: uma mudança de parâmetros.

    Capítulo 2 – Consumidor interventor: a interatividade da rede.
    O meio não é mais a mensagem – os equívocos da velha mídia.
    Novos modelos: como se articulam?
    Comunicação multidirecional.

    Capítulo 3 – A nova realidade: poder de mídia e reputação.
    Apresentação do século XXI – A nova Era.
    A tecnologização irreversível influenciando o cotidiano
    Mídia pulverizada e o culto do amador.
    Ser mídia: vida privada x vida publica e a nova relação de privacidade.

    Capítulo 4 – Reputação é poder.
    A diferença entre indivíduo-repórter x cidadão-repórter.
    Da credibilidade do jornalista como indivíduo-mídia.

    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

    COSTA, Caio Tulio. A arte na nova mídia. Disponível em: . Acesso em: 14 março 2010.
    ______. Ética e mídia. Disponível em . Acesso em: 14 março 2010.
    ______. Ética, jornalismo e nova mídia: uma moral provisória. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.
    ______. Modelo danificado. Disponível em . Acesso em: 14 março 2010.
    ______. Modernidade líquida, comunicação concentrada. Disponível em . Acesso em: 05 outubro 2010.
    ______. Por que a nova mídia é revolucionária. Disponível em . Acesso em 05 outubro 2010.
    FERNANDES, Manoel (Org.). Do broadcast ao socialcast: como as redes sociais estão transformando o mundo dos negócios. São Paulo, W3 Editora, 2009.
    KEEN, Andrew. O culto do amador: como blogs, MySpace e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009.
    LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Editora 34, 1999.
    ______. O que é o virtual? São Paulo: Editora 34, 1999.
    LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio: ensaios sobre o individualismo contemporâneo. São Paulo: Ed.: Manole, 2005.
    ROSA, Mário. A reputação na velocidade do pensamento: imagem e ética na era digital. São Paulo: Geração Editorial, 2006.



  • “O homem nasce livre e por todo lado ele está acorrentado” (Wilhelm Reich) 11:22 pm | 27 May

    Wilhelm Reich, psicanalista austríaco nascido em 1897, foi um homem a frente de seu tempo; e a frente dos tempos contemporâneos também. Em “O assassinato de Cristo” – escrita enquanto o autor esteve preso – ele discute o princípio vivo da vida e a prisão contemporânea, quando nascemos somos livres e totalmente capazes de sermos felizes. A partir do nascimento, ficamos submetidos à peste emocional que aprisiona todos os homens em dominações cristalizadoras (vindas a partir da dominação do homem sobre o mundo e sobre sua sexualidade).

    Além de estarmos todos presos, a prisão está aberta e sabemos que a prisão está aberta (!). De acordo com o texto “O assassinato de Cristo e a peste emocional”, Jesus Cristo teria dado a resposta e a saída da prisão e, por esse motivo, foi assassinado pelo homem. A chave seria o princípio da vida viva, da compreensão que a vida viva está em todos os lugares e que a vida viva quer estar “viva”.

    Desde que conheci esta obra, confesso que me senti incomodada com a sociedade em que vivo: sociedade de dominações cristalizadoras.

    Tenho tentado localizar em meu meio as dominações cristalizadoras e a prisão em que estou e procurado deixar o princípio de vida viva ativo em meu pensamento, para que, assim como o homem da figuram possa me sentir “nua” diante do mundo sem ter vergonha ou repugnância, mas livre da prisão que me atormenta.

    Lembre-se:

    O Christo foi vitima porque ele mostrou

    coisas que os homens não sustentavam olhar, coisas que tem sobre um caráter

    encouraçado o mesmo efeito que um objeto vermelho tem sobre um caráter

    emocional de um touro selvagem: Christo apresenta o principio da vida em si”.





  • Paciência de Tonho da Lua: onde está a loucura? 10:14 pm | 22 Apr




    Uma homenagem aos artistas da areia e sua infinita paciência. Agradeço ao blog Meu Pé de Abobrinha (que está aí ao lado, nos parceiros) pela lembrança. Os monges tibetanos também fazem arte com sal colorido. Mandalas lindíssimas e que demandam muito tempo. Quando terminam, eles as desmancham, para lembarem-se que a beleza da vida está nos momentos vividos. A eternidade é neste momento; despreocupe-se com o futuro.





















  • "Frio, calor e dor são coisas pscológicas" 10:10 pm | 15 Apr

    No meu tempo de ensino fundamental, cursado no SESI de São Jose do Rio Preto, tive um professor de geografia, chamado Valder Mariano, mais conhecido como Valdão. Professor e ser humano de muita experiência (há 25 anos lecionava naquela escola), o Valdão tinha criado alguns bordões próprios e inesquecíveis, resultado de toda a sua vivência. Uma dessas frases históricas é “Frio, calor e dor são coisas psicológicas”. Lembro-me bem que ficávamos irritadas quando, em pleno inverno e com as janelas abertas, as alunas se queixavam de frio e ele dizia esta gloriosa frase.
    Dez anos depois, fui obrigada a repeti-la na semana passada, quando uma frente fria gelou os riopretenses de surpresa. É uma frase que tinha ficado congelada em minha memória, mas agora ela ressurge com outra forma em meu coração. E posso afirmar: “Frio, calor e dor são coisas psicológicas”.
    Pode ser uma condição física que caracteriza baixas temperaturas e torna-se relativo, dependendo das regiões do planeta. Uma pessoa que nasceu no Canadá não sentirá frio em São Jose do Rio Preto. Uma pessoa nascida em São Jose do Rio Preto sentirá frio em Campos do Jordão. Um dia no deserto é quente; uma noite no mesmo deserto é fria.
    O frio é psicológico na mente e no coração das pessoas. O frio pode ser gelado, incômodo, asfixiante, paralisante; na mente e no coração das pessoas. Pode ser cinza, gélido; e repito, na mente e no coração das pessoas. Na noite de quarta-feira da semana passada, uma pessoa dentro de casa provavelmente não sentiu frio, outra sentiu quando descia do carro, uma outra quase teve os dedos congelados enquanto ia para a casa em sua motocicleta; e muitas outras pessoas sentiram frio a noite inteira, na noite anterior e na noite seguinte.
    O pai de família faminto foi recebido no aconchego do seu lar por sua esposa e pelo abraço carinhoso de seu filho, a idosa enferma no hospital teve uma chama acesa em seu coração pela visita do padre, a estagiária do banco sentiu uma onda de calor quando soube de sua promoção; o empresário cobriu seu coração de gelo quando viu o cálculo incorreto do departamento financeiro, o namorado quis mandar sua amada para o Alasca quando ela não atendeu ao telefone.
    A ONG do bairro está promovendo a Campanha do Agasalho para os moradores de rua daquela região; o consultor de moda está criando uma nova coleção outono-inverno.
    “Frio, calor e dor são coisas psicológicas”.



  • Caio Tulio Costa e a Bienal do Livro 9:58 pm | 8 Apr
    Caio Tulio Costa é jornalista, professor de ética jornalística na Faculdade Cásper Líbero de São Paulo, doutor em Ciências da Comunicação pela Escola de Comunicações e Artes da USP e consultor em novas mídias. Trabalhou durante 21 anos da Folha de São Paulo, onde foi Editor da Ilustrada. Foi o primeiro Ombudsman da Folha.
    Recentemente, publicou o livro Ética, jornalismo e nova mídia - uma moral provisória: livro indispensável para jornalistas e comunicadores em geral. o autor trata das questões éticas que envolvem a imprensa tradicional e os desafios de cunho moral que se apresentam com o advento das novas mídias. A comunicação passa por uma mudança estrutural. Essa mudança, que pode ser considerada revolucionária, retira dos jornalistas e das empresas tradicionais de comunicação o monopólio da comunicação. Isto porque, até o advento das novas mídias, a comunicação era feita de forma unidirecional. Agora, com a possibilidade de qualquer cidadão ter poder de mídia, por meio da comunicação digital (internet e celulares), os problemas e os desafios se multiplicaram. Essa mudança amplia as questões éticas e morais.

    Caio Tulio Costa estará em São José do Rio Preto em 02 de maio para palestra na Bienal do Livro.
    Saiba mais (veja artigos, entrevistas, vídeos): http://caiotulio.com/, http://www.bienalriopreto.com.br/dia02.php



  • Dia Internacional de quem? 12:01 am | 9 Mar






    Cor, beleza, graça, paixão... No Dia Internacional da Mulher é com este tipo de substantivos e outros tantos adjetivos que os nossos olhos e ouvidos se deparam por todos os cantos: televisão, outdoors, revistas. Mas eu não gosto do Dia Internacional da Mulher.
    Infelizmente, aquela máxima machista a qual os homens se referem todas as vezes que nos gabamos por ter um dia dedicados a nós, “porque todos os outros são dos homens”, é verdade.
    O Dia Internacional da Mulher faz o mundo se lembrar de como as mulheres têm força, perseverança, garra, beleza, carinho. Mas nenhum dos dias do calendário faz o mundo lembrar de todas as mulheres que, de alguma forma, ainda sofrem preconceito, medo, acusações e falta de perspectiva.
    No Ocidente, a discussão da posição da mulher na sociedade já pode ser considerada – ainda bem – mais livre. A maioria das mulheres ocidentais é livre para viver, escolher entre trabalhar ou cuidar dos filhos ou casar-se – ou nada disso. A discussão sobre o preconceito vem associada à forma de trabalho e salários igualados aos dos homens.
    Mas o mundo não é o Ocidente. No país mais populoso do mundo, para muitas mulheres, não é dado o direito à própria vida pelo fato de terem nascido mulheres. Quando sim, viver na prostituição pode ser a única alternativa. O Islamismo, religião com maior número de adeptos no mundo, obriga as mulheres a cobrir-se com a burka. Tarefa que mulheres muçulmanas, paquistanesas, nem cogitam questionar.
    Por que o Dia Internacional da Mulher não é substituído pelo Dia Internacional da Humanidade, para que o mundo se volte para outras razões – e motivos mais ricos – que a simples cor, beleza, graça e paixão das mulheres? Voltemo-nos para a cor da liberdade, a beleza, graça e paixão da vida de todos.



  • Vote nulo 8:12 pm | 28 Aug

    Já estamos em época de articulação do jogo político eleitoral. Daqui a pouco vem aquele discurso demagógico de novo sobre a beleza da “democracia” e a importância do voto.
    Sim, o voto é importante, mas quando representa o seu desejo do eleitor, mas principalmente, do cidadão.
    O Governo Federal, com sua publicidade em que todo mundo escolhe os seus candidatos de forma respeitosa, diz (ou melhor, dirá; mas é sempre a mesma coisa) que é necessário escolher bem o seu candidato, aquele que apresenta propostas que serão mais importantes para você.
    Então nas conversa nas ruas e ouve-se sempre a mesma coisa: “Político é tudo igual. O que precisa é escolher o menos ruim”.
    Tenho vontade de quebrar o pescoço dos que ouço dizendo isso. Parte do que a publicidade do Governo diz é verdade: o povo pode e DEVE se expressar sim através do voto. Mas não basta votar num candidato que seja o “menos ruim”.
    É preciso expressar a verdadeira vontade do povo. Se não há candidatos dignos do seu voto, VOTE NULO. Sim, vote nulo.
    Não é desperdiçar o próprio voto. É questão de ser sincero consigo. Se todos os brasileiros fossem sinceros na hora de votar, sem peso na consciência de jogar seu direito no lixo, e mais de 50% da apuração fosse de votos nulos, os políticos perceberiam que alguma coisa está realmente errada.
    Por que alguma coisa está realmente errada. E nós pensamos que é com eles. Não! É conosco, eleitores. Vamos começar a acertar.

    Começa agora a campanha VOTE NULO! Pense nisso, antes que eles pensem por você.



  • Por que... 8:51 pm | 28 Jul

    Se somadas todas as forças do Universo, o resultado é um número par ou impar?


    Par. Por que para todas as forças aplicadas há uma outra força que responde a ela. Questão de vestibular. Isso eu aprendi na escola.

    Mas o resto é lição para todos os dias:


    É preciso força para movimentar o Universo ou deixá-lo estático.

    É preciso força para vibrar. E é da força que vem a sensação.

    É precido força para cair, mas é preciso ainda mais para levantar-se.

    É preciso força para falar, mais ainda é preciso para calar.

    É preciso força para ouvir, mas ela precisa ser ainda maior para manter o silêncio.

    É preciso força para a luta, mas é precido ainda mais para a paz.

    É preciso força para o trabalho. Mas é preciso mais ainda para a dança, para o ritmo.

    É preciso força para dizer ás pessoas que ama que tudo vai ficar bem, quando elas não vão.

    É preciso mais ainda para dizer-lhes que não vai ficar tudo bem quando elas não vão.

    É preciso força para a mentira, mas é preciso mais para a verdade.

    É preciso força para a esperteza, mas é preciso mais para a sinceridade.

    É preciso força para afirmar, mas é preciso muito mais para duvidar.

    É precido força para a beleza, mas a auteticidade precisa de ainda mais.

    É preciso força para dizer não, mas é ainda mais para dizer sim.

    É preciso força para a força, mas é preciso ainda mais para a paciência.

    É preciso força para negar o amor, mas é preciso ainda mais para entregar-se a ele.

    É preciso força para suportar a morte, mas é preciso ainda mais para entregar-se a vida.



  • ... 6:41 pm | 26 Jun

    Não estou aqui para falar só do Michael Jackson, mas para falar da mídia sobre ele.
    Ninguém pode negar que o Michael revolucionou a música. Nesse quesito, sempre esteve muito a frente do seu tempo. Batida, dança e presença de palco passaram a ter outro significado depois dele. É realmente difícil imaginar o que seria da música pop e eletrônica hoje nem nenhum dedinho do Michael.
    Quando eu comecei a me entender por gente ele já não vivia mais sua era de outro há uns bons anos. Mas já era uma lenda, um mito. Ao contrário do que muitos pensam, o mito não nasceu com sua morte: ele já existia.
    Não é como a Dercy Gonçalves ou o Clodovil, por exemplo, que você sabia e (e já esperava) que um dia eles fossem morrer. Com o Michel é diferente: parece que é um tipo de hilander, imortal, que não vai acabar. É patrimônio da humanidade.
    Mas acabou e, pelo que dizem, endividado. Acho difícil. Além de sua própria carreira e os milhões de discos vendidos e de dólares ganhos por ele mesmo, ele é (ou era, não sei mais) dono dos direitos de reprodução dos Beatles (será que a pirataria chegou a esse ponto? mas essa já é uma outra história).

    Voltando pra mídia (por que até agora eu só falei de Micheal), A mídia está esquecendo de dizer – ou está dando muito menos importância – nesses muitos “Especiais Michael Jackson” que ele também era doente, tinha uma saúde frágil, física e mental. Conheceu a fama muito cedo e isso pode ter auxiliado para a falta de discernimento de sua vida pessoal. Era dependente de medicamentos e foi acusado várias vezes de abusar sexualmente de crianças. Além disso, sempre teve um jeito estranho de lidar com os filhos, sempre ocultando seus rostos, ou os colocando pendurados pela sacada.

    Fica aqui então uma reflexão

    Antes de ser um hilander ele era um homem com muitos problemas (e dívidas?). Tanto nos provou que era um homem que morreu e que tinha problemas que morreu no meio da vida de parada cardíaca.
    Quem sabe agora ele encontre um pouco de paz, esteja onde estiver.




  • "A reportagem mais difícil": 8:30 pm | 22 Jun


    Foi assim que Caco Barcellos descreveu seu novo livro-reportagem ABUSADO: O DONO DO MORRO DONA MARIA, da Record, Como pensam e agem os criminosos que impõem o terror no Rio de Janeiro?

    O consagrado jornalista Caco Barcellos desvenda a lógica e o modus operandi da criminalidade carioca. A partir de revelações chocantes feitas por um conhecido traficante (identificado no livro com o codinome "Juliano VP"), o jornalista mostra a realidade nua e crua do tráfico de drogas e revela como o Comando Vermelho tomou conta da favela Santa Marta e formou uma geração inteira de traficantes. Vencedor de inúmeros prêmios por suas reportagens, Caco Barcellos (autor também de "Rota 66") considera "Abusado" como "a reportagem mais difícil" de seus 25 anos de profissão. Campeão de vendas, o livro venceu o Prêmio Jabuti como melhor obra de não-ficção e é indicado como leitura obrigatória por faculdades de jornalismo de todo o país.


    Detalhes:


    Título: AbusadoSubtítulo: O Dono do Morro Dona Marta


    Editora: RecordEdição: 19a. edição, 2008

    Idioma: Português

    Número de páginas: 560 páginas

    Formato: 16 cm x 23 cm (largura x altura)

    Especificação: Offset 90 g/m², 1 cor, Capa Flexível

    Peso: 1012 gramasISBN: 978-85-0106-520-9




  • • A primeira lealdade do jornalismo é com os cidadãos 4:44 pm | 20 Jun

    Em “Para quem trabalham os jornalistas”, a obra é capaz de dar aos jornalistas uma visão otimista desse mundo capitalista do qual o jornalismo vive atualmente.

    “O profissional de imprensa não é como os empregados de outras empresas. Ele tem uma obrigação social que na verdade pode ir além dos interesses imediatos de seus patrões e ainda assim essa obrigação é a razão do sucesso financeiro desses mesmos patrões” (p. 83).

    Nesse elemento, os autores colocam como uma das principais causas do distanciamento do jornalismo com os cidadãos, o departamento comercial.

    Abriu-se um enorme fosso entre o departamento comercial e a redação. Pior ainda, entre repórteres e editores. Os jornalistas viam do departamento comercial uma ameaça a sua independência, além de temer que a tal responsabilidade financeira dos editores era no fundo um código para permitir aos anunciantes intervir no noticiário. O lado comercial, enquanto isso, começava a achar que se a redação era tão intransigente em relação às mudanças, talvez o famoso distanciamento dos jornalistas fosse de fato a causa da estagnação profissional” (p 94).

    Ao invés de isolar a redação com o resto da organização, como se houvesse uma parede que separasse a redação do departamento comercial, os jornalistas trabalham melhor quando os dois lados têm um compromisso com os valores da profissão, e isso deve partir, além dos jornalistas, do dono do jornal e da empresa.



  • • A primeira obrigação do jornalismo é com a verdade 6:50 pm | 15 Jun
    A “verdade” é o primeiro elemento do jornalismo, de acordo com os autores. A problemática da questão vem em definir o conceito de verdade. “No começo do século 20, os jornalistas já percebiam que realismo e realidade – ou precisão e verdade – não eram tão facilmente equacionáveis” (p. 64-5). Outra questão é que os próprios jornalistas, talvez pela correria da redação ou pelo pouco tempo que têm, renegam as discussões sobre a verdade no seu sentido filosófico.

    “E como veremos, essa ‘verdade jornalística’ é muito mais do que simples precisão. É um processo seletivo que de desenvolve entre a matéria inicial e a interação entre o público leitor e os jornais, ao longo do tempo. Esse princípio básico do jornalismo – a busca desinteressada da verdade – é, em última instância, o que diferencia a profissão de todas as outras de comunicação” (p. 67-8). Isso quer dizer, que a verdade absoluta de um fato não aparece na primeira matéria, pois o repórter sozinho não tem como ir muito além de um nível superficial de exatidão. Mas essa primeira matéria leva a uma segunda, já corrigida de suas não exatidões, e assim por diante. “Esta verdade prática é uma coisa múltipla que, como o aprendizado, cresce como a estalagmite dentro de uma caverna, gota por gota através do tempo” (p. 71).



  • O valor do sexo, por Ruth de Aquino 9:26 pm | 14 Jun
    Ruth de Aquino é editora-chefe da revista Época (Editora Globo) e escreve semanalmente na revista.

    Sua coluna é publicada sempre na última página, o que me obriga, com prazer, a ler a revista de traz para frente.

    Gosto do senso crítico, da forma como se revolta com fatos aparentemente não relevantes e como aborda temas já bastante debatidos pela mídia.


    Transcrevo abaixo uma das que mais gosto, publicada em 12 de janeiro.

    Espero que apreciem tanto quanto eu.





    O valor do sexo para eles e elas



    Ruth de Aquino





    Qual é o valor do sexo para um homem e para uma mulher? Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) com 8.200 brasileiros em dez capitais confirmou a versão dos botequins. Para a mulher, sexo é a oitava prioridade na vida. Para o homem, é a terceira. “Homem faz sexo para se sentir bem. Mulher precisa se sentir bem para fazer sexo.” A afirmação é de Carmita Abdo, professora de psiquiatria na USP e coordenadora da pesquisa. Tudo bem, mas eu me surpreendi.
    Eram dez os itens de qualidade de vida listados na pesquisa. Para as mulheres, a satisfação com o sexo só ganha de “exercícios regulares” e “férias regulares”. Todo o resto seria mais importante: alimentação saudável, convívio com a família, horas de sono, trabalhar no que gosta, cuidados com a saúde, convívio social, atividades culturais. Os homens enxergam duas únicas coisas mais valiosas que o sexo: alimentação saudável em primeiro lugar e tempo de convívio com a família.
    É verdade que a pesquisa não incluiu futebol. Sem futebol no domingo, a felicidade do brasileiro depende, pela ordem, de três prazeres: mesa, casa e cama. Ele só pensa naquilo. Ou nem tanto. A macarronada e a família vêm antes. Seria mais fácil para um homem ser feliz? Ele exigiria menos da vida e se comprometeria menos?
    O gênio do cubismo espanhol Pablo Picasso teve uma meia dúzia de mulheres oficiais, muitas amantes, morreu com 91 anos e, quando lhe perguntaram por que era tão cruel e frívolo com o gênero feminino, respondeu que não era nada disso: “As mulheres são máquinas de sofrimento”. Resumia assim o que o homem médio adora dizer. Que mulher reclama demais. Complica demais. Exige demais. De tudo e todos, e mais dela mesma.
    Naturalmente eu não imaginava que o sexo teria o mesmo significado para eles e elas, especialmente em pesquisas, que lidam com médias. Mas achar o sexo menos importante que atividades como o sono, hobbies, cultura e encontros com amigos talvez seja, nas mulheres, um sinal de desconhecimento do próprio corpo e dos efeitos benéficos do prazer e do orgasmo sobre todo o resto da vida – o sono, a saúde, a produtividade e o humor. Será que andam em falta na cama imaginação e fantasia? Ou homem mesmo?
    Para a mulher brasileira, sexo é a oitava prioridade. Será que falta imaginação ou homem mesmo?
    Em nossa reportagem de capa, um dos segredos do amor eterno é exatamente o sexo satisfatório. “Temos muito tesão, sem o qual nada pode seguir adiante”, diz Bruna Lombardi, sobre os 30 anos de casamento com Carlos Alberto Riccelli.
    No ano 2000, a OMS (Organização Mundial da Saúde) incluiu o sexo oficialmente como um item de qualidade de vida. Junto à satisfação no trabalho, em casa e no lazer. Foi com base nesse estudo que a USP encomendou a pesquisa.
    “Como já se sabia, a mulher não precisa de tanta frequência de relações sexuais”, diz a psiquiatra Carmita. “Mas ela está mais exigente. Quer que os parceiros cuidem mais da aparência.” E hoje, segundo a pesquisa, quase metade das brasileiras (43%) faria sexo com alguém sem envolvimento afetivo. Essa é uma tremenda mudança. Mas a maioria ainda prefere o sexo com amor.
    Num sentimento, homens e mulheres são iguais. É o que conclui a pesquisa. A maior preocupação deles e delas, na hora do sexo, seria agradar ao outro. Não se sabe se por generosidade, submissão ou egocentrismo. O tal “foi bom para você” costuma ser um chavão. Masculino. Ser bom de cama é um desejo comum de dois.
    Na minha juventude, quatro livros sobre sexo e repressão foram reveladores, entre outros. A função do orgasmo, de Wilhelm Reich (1897-1957), polêmico psiquiatra austríaco. Eros e civilização, de Herbert Marcuse (1898-1979), filósofo alemão. Erótica, contos da francesa Anaïs Nin. E quase todos os livros do americano Henry Miller.
    Nos anos 60 e 70, a discussão do orgasmo feminino ganhou contornos radicais e manifestações de rua. Para quê? Para o sexo se tornar nossa oitava prioridade? Ou pior. Outra pesquisa acaba de revelar que quase metade das mulheres nos Estados Unidos prefere internet a sexo. Mulheres, não subestimem o prazer. Homens, mostrem o seu valor.




  • Os Elementos do Jornalismo 9:16 pm | 14 Jun

    A obra, “Os Elementos do Jornalismo – o que os jornalistas devem saber e o público exigir” (dos autores Bill Kovach e Tom Rosenstiel, editora Geração Editorial, 302 páginas), na edição brasileira, é iniciada com um prefácio à edição brasileira, assinado pelo jornalista Fernando Rodrigues. Este início da obra é importante para explicar ao leitor quais os principais objetivos da qual a obra se refere. Sobre o tema, em resumo, Rodrigues introduz que a obra trata-se de um amontoamento de elementos que os autores da obra, Bill Kovach e Tom Rosenstiel, concluíram ao longo de um período de pesquisa com jornalistas, proprietários de mídia e outros críticos interessados no tema comunicação.
    A necessidade de colocar esses elementos em pauta veio, em 1997, após a realização de 21 fóruns aos quais compareceram mais de três mil pessoas, dos quais foram tomados depoimentos de mais de 300 jornalistas. A partir dessas reuniões, viu-se que era preciso retomar os elementos inerentes ao jornalismo, visto que as empresas de comunicação estavam se tornando parte da organização econômica de grandes empresas.
    Depois dessas reuniões, concluiu-se que há nove princípios básicos, e são esses Os Elementos do Jornalismo.

    A primeira obrigação do jornalismo é com a verdade.
    A primeira lealdade do jornalismo é com os cidadãos.
    A essência do jornalismo é a disciplina da verificação.
    Jornalistas devem manter independência daqueles a quem cobrem.
    O jornalismo deve ser um monitor independente do poder.
    O jornalismo deve abrir espaço para a crítica e o compromisso público.
    O jornalismo deve empenhar-se para apresentar o que é significativo de forma interessante e relevante.




  • 60% de lixo comestível 9:29 pm | 4 May
    O desperdício de alimentos é estimado em 1,4% do PIB nacional, o que equivale a US$ 1 bilhão por mês



    Nathália Dalbert


    Todos os dias a rotina é a mesma. Geralda Aparecida acorda cedo, penteia os cabelos e começa a prepara o café da manhã, almoço e jantar, ao lado da neta Beatriz, de 3 anos.
    A paulistana de 71 anos, moradora da Vila Leopoldina, periferia da cidade, está desempregada há 4 e todos os dias enfrenta uma rotina que pareceria comum para todos: a busca e o preparo do alimento. Não fosse por uma sutil diferença: é no Ceagesp que ela busca o que vai para a mesa naquele dia.
    De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, o Brasil é líder mundial em desperdícios de alimentos – cerca de 60% do lixo brasileiro é composto por alimentos.
    O projeto Bando de Alimentos da Ceagesp arrecada 250 toneladas de alimentos por mês, doados por produtores rurais. O coordenador do banco, Marcos Antonio dos Santos, disse que as quantidades de doações têm aumentado desde sua chegada ao projeto. “Temos conscientizado alguns produtores e comerciantes a doarem as sobras. Só na primeira quinzena de janeiro foram arrecadadas 114 toneladas”.
    Os números de desperdício de alimentos no mundo são assustadores. São jogadas 39 mil toneladas de alimentos no lixo por dia. Essa quantidade seria suficiente para alimentar 19 milhões de pessoas com três refeições diárias. Uma família de classe média joga no lixo mais de 183 quilos de alimentos por ano, de acordo com uma pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Outra pesquisa, essa da Associação Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), afirma que 61% dos alimentos comprados “in natura” vão para o lixo das residências.
    Assim como o Banco de Alimentos da Ceagesp, o Serviço Social do Comércio de São Paulo (SESC) mantêm o Programa Mesa Brasil. O programa teve início em 1994. E hoje, atende 500 instituições na cidade de São Paulo.
    O Programa Mesa Brasil tem como mantenedora a caridade dos moradores da cidade o projeto arrecada 385 toneladas de alimento por ano.
    “Trabalhamos com cerca de 670 doadores e a cada ano conseguimos levar alimento a um maior número de pessoas”, disse Luciana Curviello, coordenadora do programa.
    A ONG Banco de Alimentos arrecada 40 toneladas por mês de restos recolhidos em sacolões, feiras, supermercados e padarias. O que é arrecadado passa por uma triagem de nutricionistas e depois é distribuído em instituições cadastradas. Produtos industrializados, como iogurte, macarrão e açúcar, também são distribuídos, caso estejam dentro do prazo de validade e inviolados.
    As doações de restos de alimentos por restaurantes e comércios poderiam ser ainda maiores, mas o Código Civil Brasileiro é bastante rígido quando às doações. Os restaurantes são responsáveis por qualquer problema de saúde (intoxicações, envenenamento etc.) causados pelos alimentos doados pelos estabelecimentos. As restrições do Código Civil Brasileiro tendem a inibir algumas ações dos proprietários de restaurantes. “Todos os dias jogo toda a sobra de comida no lixo. Chego a ficar sem fome de ver a comida indo para o lixo. Mas tenho medo de que o alimento faça mal a alguém e eu seja responsabilizada”, afirmou Akemi Noda, dona do restaurante Pimenta Rosa, zona sul de São Paulo
    O governo estadual de São Paulo mantém o Projeto Bom Prato, do qual o prato de comida custa R$1,00. Por dia, são servidas mais de 42 mil refeições nas 30 cidades onde o programa é cadastrado – inclusive São José do Rio Preto.
    O engenheiro de alimentos, Nilo Sérgio Rodrigues, afirma que “no Brasil, o alimento é adquirido muito facilmente e por um preço baixo.
    "A pessoa que compra um pé de alface, por exemplo, não tem a mínima preocupação se tiver que joga-lo no lixo, pois sabe que na próxima esquina vai encontrar outro em condições iguais ou melhores”. Por isso, o desperdício de alimento poderia ser diminuído consideravelmente. O desperdício de alimentos é estimado em 1,4% do PIB nacional, o que equivale a US$ 1 bilhão por mês. Essa verba poderia ser revertida em projetos como os que foram citados nessa reportagem e auxilar muitos idosos e crianças que precisam procurar no lixo o que comer. As Geraldas e Beatrizes do Brasil agradecem.



  • La Loba (trabalho acadêmico) 12:46 am | 21 Feb

    Trabalho realizado como nota semestral da disciplina Psicologia em Comunicação, 4. º período.


    Proposta: criar uma narrativa referente ao "livro que mudou a minha vida" (ou mudará).


    O livro escolhido foi o Mulheres que Correm com os Lobos, de Clarice Pinkola Estés, psicóloga junguiana que estuda o arquétipo da mulher selvagem.


    Texto de Nathália Dalbert e arte final de Victor Hugo, designer.
    Existe uma velha conhecida como La Loba, que caminha pelos cantos das floretas, leitos secos dos rios e desfiladeiros. É circunspecta, gorda, cabeluda e desarrumada. Parece evitar a maioria das pessoas, mas procura aquelas que se perderam do caminho. O trabalho dela é recolher ossos, principalmente os de lobos. Quando consegue recolher um esqueleto inteiro, ela se senta junto à fogueira e escolhe a canção que irá cantar. Canta e toca seu tambor com tanta força e intensidade que as pernas e as costelas do esqueleto vão criando carne e pêlos. Em algum momento da canção, o lobo volta à vida e sai correndo pela floresta. Seja por um raio de sol ou de luar ou por cruzar um riacho, o lobo se transforma numa mulher que corre livre e alegre pelo mundo. Uma Mulher que Corre com os Lobos. Assim como os lobos, as mulheres selvagens têm a percepção aguçada, espírito brincalhão e capacidade para devoção. Têm grande resistência e força, são intuitivos e preocupam-se com seus filhotes e seus comuns. Têm experiência em se adaptar a circunstâncias em constante mutação. São dotados de determinação e extrema coragem. No decorrer da História da humanidade, houve um momento em que as mulheres foram consideradas animais trapaceiros e vorazes e, assim como os lobos, foram forçadas a acreditar que seus instintos não são bons. Por isso, as mulheres que eram devotas à Grande Deusa foram caçadas. Foram-lhes impostos apertados espartilhos e regras. Não se podia dançar, rir ou brincar. Seu espaço na casa tornou-se restrito às tarefas domésticas e sua função única, servir o esposo e criar seus filhos.A velha La Loba e sua canção são uma das lendas contadas pelos indígenas americanos e sul-americanos, pelos orientais e ocidentais; histórias que se referem ao espírito da Mulher Selvagem contadas pelos velhos para as crianças. O arquétipo da mulher está presente no mundo perambulando pelas histórias de La Loba: o Barba Azul, Vasalisa, a sabida, Manawee, A Mulher-Esqueleto, O Patinho Feio, A Mulher-Borboleta, Os Sapatinhos Vermelhos, La Lorona, A Menininha dos Fósforos, As Deusas Sujas e tantas outras. É para resgatar essas mulheres perdidas do caminho que a velha La Loba procura os ossos. Quem sabe, um dia, se você estiver caminhando perdido pela floresta e dê a sorte de que a Mulher Selvagem lhe encontre e lhe ensine algo da alma, para voltar a ser uma mulher com o instinto de loba.






  • Vampiros na Internet: uma fábula para crianças índigo 8:09 pm | 17 Feb

    “Seres humanos, pessoas daqui e de toda parte, vocês que são arrastados no grande movimento de desterritorialização, vocês que são enxertados no hipercorpo da humanidade e cuja pulsação ecoa as gigantescas pulsações deste hipercorpo, vocês que pensam reunidos e dispersos entre o hipercórtex das nações, vocês que vivem capturados, esquartejados, nesse imenso acontecimento do mundo que não cessa de voltar a si e de recriar-se, vocês que são jogados vivos no virtual, vocês que são pegos nesse enorme salto que nossa espécie efetua em direção à nascente do fluxo do ser, sim, no núcleo mesmo desse estranho turbilhão, vocês estão em sua casa. Bem-vindos à nova morada do gênero humano. Bem-vindos aos caminhos do virtual!” (Pierre Lévy, O que é o virtual?).


    Esta é a epígrafe do primeiro romance-teoria riopretense publicado exclusivamente na internet, resultado do trabalho de jogadores de RPG na internet e organizado pela pesquisadora teórica da literatura Dra. Dinamara Garcia Rodrigues.


    O intiuto é publicar os 16 volumes escritos em anos de RPG como um romance da internet e para a internet. Publicado aos poucos, já está acessível o Livro I - Bettina Von Schaeffer. Além de literatura bem escrita e inovadorra, o blog é acompanhado de ilustrações belas e importantes.



    Visite o Blog com paciência e lembre-se: sugerimos sempre que seja lido a primeira postagem.




    vampirosnainternet.blogspot.com (também disponível em Parceiros)


    Boa leitura a todos!



  • Dica de leitura 9:02 pm | 5 Jan
    Jornalismo e Política Democrática no Brasil


    Esse livro analisa o papel da imprensa brasileira em momentos-chave da história do Brasil como as Diretas Já, as eleições de 1989, o Plano Real e o governo FHC.






  • SOBRE ÉTICA E IMPRENSA - Uma discussão necessária 3:11 pm | 4 Jan
    Em Sobre ética e imprensa, o autor Eugenio Bucci levanta uma questão de necessidade humana mas não bem vista pelos jornalistas: a discussão sobre ética.
    Em um primeiro momento, o autor descreve as razões históricas e filosóficas da ética. Usa autores como Marilena Chauí para dizer que “a conduta ética é fruto da decisão do agente – é por ter racionalidade e liberdade, ou por ter o livre-arbítrio, como prega a tradição cristã, que ele é senhor dos seus atos – mas essa decisão individual tem lugar na sociedade” (p. 16).
    O agente goza de autonomia e, ao mesmo tempo, está atado aos valores sociais que lhe são exteriores, isto é, que representam para ele uma heteronomia. A busca do bom e do justo – que, embora sejam conceitos sobre a finalidade da conduta ética – é, portanto um objetivo simultaneamente individual e social. (p. 16)
    O trecho acima diferencia o conceito de ética do conceito de moralidade (ou moral). Entende-se por moralidade um conjunto de regras ou normas que a tradição de cada povo. Na moralidade, o conceito do que é moral ou imoral pode variar dependendo da região em que o indivíduo de encontra. Por exemplo, a poligamia é considerada imoralidade nos países ocidentais, mas é considerada moral para alguns países orientais.
    Contudo, seja nos países ocidentais ou orientais, matar ou mentir são ações consideradas antiéticas em ambos. Essa é a principal diferença da moralidade para a ética. A ética é um conjunto de regras ou normas que procuram tornar a convivência entre as pessoas justas, mas num âmbito global.
    O ideal de Bem, portanto, é inescapável. Aqui, porém, já não se trata de um Bem que um sujeito impõe aos outros; trata-se de um Bem que se realiza como projeto intersubjetivo. Trata-se, enfim, não de se acomodar aos costumes, mas – sem deixar de dialogar com eles – de procurar caminhos para elevá-los. (p. 17)
    O autor vem discutir a ética aplicada ao jornalismo. Não só na conduta do jornalista mas também na conduta do editor e da empresa de comunicação.
    A ética jornalística não é apenas um atributo intrínseco do profissional ou da redação, mas é, acima disso, um pacto de confiança entre a instituição do jornalismo e o público, num ambiente em que as instituições democráticas sejam sólidas. A ética interna das redações e a ética pessoal dos jornalistas devem ser cultivadas, aprimoradas e exigidas, mas elas só são plenamente eficazes quando as premissas da liberdade de imprensa são asseguradas. (p. 25)
    Apesar de ser necessária o cultivo da ética jornalística, o jornalista em geral não se sente confortável com a discussão. Diante da velocidade com que a informação acontece nos dias atuais, do dead line das redações estarem cada vez menores, da pressa e da cobrança pelo furo de reportagem, é compreensível que o jornalista julgue a discussão sobre ética na imprensa dispensável e adiável.
    Pode-se dizer que a arrogância jornalística não é outra coisa senão a afirmação de uma auto-suficiência ética. É como se a imprensa proclamasse: minha função é informar o público, mas os meus valores não estão em discussão, os meus métodos não são da conta de ninguém – eles são bons, corretos e justos por definição. (p. 39)
    O contraditório é que o profissional de imprensa vive situações das quais a decisão ética deve ser tomada todos os dias; e sempre da maneira mais difícil. Escolher, pautado na ética, entre o que é certo e o que é errado é simples. Mas o jornalista precisa, na maioria das vezes, escolher entre o que é certo e o que é certo. Uma situação comum é o jornalista precisar escolher entre divulgar uma informação (uma fraude de um político, por exemplo) que é de interesse público, mas que pode caracterizar também como invasão de privacidade do indivíduo.
    Atualmente, contudo, falar em jornalismo é falar em vigilância do poder e, ao mesmo tempo, em prestação de informações relevantes para o público (não do governo). (p. 18).
    Por fim, apesar de o jornalismo ser uma profissional de compromisso com o público, as instituições jornalísticas são empresas que visam lucro. Cabe também às empresas compreenderem a importância da ética jornalística com relação a sua credibilidade perante o público.
    A ética jornalística não se resume a uma normatização do comportamento de repórteres e editores; encarna valores que só fazem sentido se forem seguidos tento por empregados da mídia como por empregadores – e se tiverem como seus vigilantes os cidadãos no público. A liberdade de imprensa é um princípio inegociável, ele existe para beneficiar a sociedade democrática em sua dimensão civil e pública, não com prerrogativa de negócios sem limites na área da mídia e das telecomunicações, em dimensões nacionais e transnacionais. (p. 12)








    REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

    BUCCI, Eugênio. Sobre ética e imprensa. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.



  • Trabalho acadêmico - A MORTE DA AMANTE 3:06 pm | 4 Jan

    A proposta do trabalho foi usar texto literário O Amante do Mossad, da revista Piauí, edição de outubro/2008, para criar uma reportagem de revista.

    Trabalho para nota final da disciplina Texto de Revista, ministrada pelo prof. Allan de Abreu. 4. º período de jornalismo, 2008.

    Para efeito de exercício, o dia do fato é ontem. Os demais dados são verídicos.

    A MORTE DA AMANTE

    A POLÍCIA PRENDEU
    O HOMEM QUE TERIA
    INDUZIDO À AMANTE
    COMETER SUICÍDIO

    Kleber Ferraz se fazia passar por agente secreto judeu e enganava mulheres bem-sucedidas e carentes

    Nathália Dalbert

    Foi preso ontem, em Brasília, Kleber Ferraz, 34 anos, também conhecido como Youssef, acusado de induzir o suicídio de sua amante, Maria Aparecida Lima da Silva, que está em coma em um dos hospitais da cidade. O homem teria ido à delegacia acionar a PM sobre a possível morte quando um dos policiais lhe deu voz de prisão. Na delegacia, ele afirmou aos policias que teria feito um pacto
    com Maria Aparecida: alugaram um flat e compraram veneno juntos, com o intuito de cometerem suicídio.
    Kleber Ferraz aplicava golpes pela internet. Em salas de bate-papo, se identificava como
    Youssef, dizia ser judeu e agente secreto do Mossad, Instituto de Informações e Operações Especiais, o serviço secreto israelense. Procurava mulheres sozinhas, carentes e com alto instinto protetor, geralmente com bons cargos e salários. Nas conversas com elas, dizia que vivia sozinho por causa da profissão, que estava carente e tinha o desejo de se matar.
    Kleber Ferraz é casado há treze anos com a professora Ana Paula Ottoni, e tem dois filhos, de 10 e 8 anos. Era funcionário da Infraero no aeroporto de Brasília, mas desde 2003 tornou-se dono de três postos de gasolina em Brasília, após ter aplicado um golpe em Sônia de Fátima Ferreira, 43 anos, funcionária da Câmara dos Deputados. Com o salário de 20 mil reais, Sônia vendeu sua casa no valor de 350 mil reais e fez empréstimos. Arrendou três postos de gasolina, que ficavam sobre a gerência do namorado Kleber. Sonia também comprou quatro carros de luxo que eram usados por ele. Ela descobriu um câncer , mas mesmo debilitada por causa da doença, teria feito outras dívidas no valor de 600 mil reais para satisfazer os desejos do namorado. O romance teria acabado quando Sônia registrou queixa na 20. ª Delegacia de Polícia de Brasília, por apropriação indébita contra ele. Acusou-o de ter tirado de seu apartamento, sem o seu consentimento, uma TV de 29 polegadas, um home theater, uma estação de musculação e uma bicicleta ergométrica.
    Depois da morte de Sônia, em 2005, Kleber conheceu pela internet Maria Aparecida Lima da Silva, 35 anos, funcionária do Superior Tribunal de Justiça. Morava com os pais, mas matinha um apartamento que freqüentava pouco. Youssef se apresentou como de praxe e começaram um relacionamento pouco tempo depois. Ela engravidou no início do namoro e foi coagida pelo namorado a abortar a criança aos três meses de gestação. Algum tempo depois, Aparecida descobriu onde Youssef morava, seu nome verdadeiro, os filhos e a esposa, da qual se tornou amiga e passou a freqüentar a casa de Kleber. “Ele me perguntou se podia levar uma amiga do trabalho que era muito depressiva e não tinha amigos”, disse Ana Paula. Assim como Sônia, Aparecida deu a ele um carro de luxo, se endividou, mudou sua rotina no trabalho, passou a fazer uso de remédios tarja preta e a mentir para a família. “Ela disse que estava comprando um apartamento maior, de dois quartos, e por isso minha mãe nem pensou duas vezes em lhe dar o dinheiro”, disse o irmão de Aparecida, Marcelo Lima.
    Além do casamento e do relacionamento com Maria Aparecida, Kleber também era noivo de Franciana Xavier, 24 anos, que também conheceu pela internet, apresentando-se como agente do Mossad. Recém-desligada de um emprego, Franciana recebeu uma indenização. O noivo teria sugerido que ela depositasse o dinheiro na conta dele, para dar entrada num apartamento para o casal, mas Franciana recusou a proposta.
    Maria Aparecida passou a perseguir Kleber e Franciana e apresentava um comportamento cada vez mais diferente: não comia, tomava soporíferos, mas não conseguia dormir, faltava ao trabalho e se afastou totalmente dos amigos. Alugou uma suíte no hotel Kubitschek Plaza onde ingeriu ácido fólico e muitos comprimidos. Ainda mentindo para os pais, internou-se numa clínica. Aparecida disse a médica da clínica Maria Mercedes Barbosa que tomara os comprimidos depois de uma discussão com o namorado. A médica enquadrou Aparecida como portadora de Transtorno Depressivo Recorrente.
    Em fevereiro, Aparecida e Kleber foram a uma loja de artigos militares. Ele estava vestindo um uniforme da Polícia Militar e se identificou como Major Kalev. Os registros da loja não localizaram o nome e eles foram levados à delegacia. Depois do ocorrido com a polícia, ela alugou uma suíte para o casal no hotel Bay Park por um mês, para cometerem suicídio juntos, como o amante teria sugerido.
    No domingo, Kleber ligou para Aparecida dizendo que estava na casa da namorada, Franciana. Maria Aparecida foi até o apartamento da moça para tirar satisfações; ela e Kleber passaram o dia todo conversando. De acordo com Franciana, Kleber teria voltado ao seu apartamento aturdido. “Ele chegou chorando demais, falando que queria morrer, que ia se matar. Teve de tomar remédio para dormir”.
    Ontem, Maria Aparecida pediu folga do trabalho e foi a um parque se encontrar com Kleber. Segundo ele, tiveram uma briga por ciúmes. Ao deixar o local, ela teria telefonado para o celular dele dizendo que iria acabar com sua própria vida. Kleber ligou para sua esposa e pediu que ela localizasse Aparecida com urgência. Do parque, ele teria ido ao hotel, mas não encontrou ninguém. De lá, se dirigiu para a mesma delegacia onde uma semana antes tinham registrado ocorrência e anunciado que tinham comprado veneno e que Maria Aparecida poderia se matar.
    Ana Paula teria conseguido localizar Maria Aparecida, que lhe contou sobre o plano de suicídio. No quarto onde Maria Aparecida foi encontrada inconsciente, havia veneno Estricnina na mesa de cabeceira. Ela foi levada imediatamente ao hospital pelo Corpo de Bombeiros e está em coma.
    O delegado Antonio Romeiro, responsável pelo caso, pretende ouvir todas as pessoas envolvidas no caso. A promotoria pretende denunciar Kleber Ferraz por homicídio duplamente qualificado. Ele teria aproveitado da debilidade de Aparecida. Segundo o promotor Maurício Miranda, “depois de usufruir dos recursos financeiros da vítima, o réu começou a sugerir suicídio, fazendo-a crer que ele o faria também”. A defesa de Kleber ainda não se manifestou sobre o caso.
    No armário de Maria Aparecida foi encontrada uma apólice de seguro no valor de 210 mil reais em nome de Kleber.



  • Violência moral. E todos aplaudem. 2:40 pm | 4 Jan
    Canalha, cretina, mal criada, bandida, criminosa. Qualquer pessoa que fosse chamada por um desses adjetivos se sentiria, no mínimo, humilhada. São palavras associadas a tons pejorativos, geralmente.
    “Geralmente” porque nos últimos meses esses adjetivos passaram a ser empregados às mulheres para dizer-lhes o quanto elas são “amadas”.
    É o que diz as letras de músicas das duplas sertanejo-urbanas Christian e Ralph, Fernando e Sorocaba e Zé Henrique e Gabriel. Duplas que têm feito sucesso na mídia recentemente, duas delas estiveram na Festa de Peão de Barretos em 2008 e tiveram, somadas, público de mais de um milhão de pessoas.
    Não está sendo julgada aqui a festa nem o estilo de música. Muitas duplas são capazes de gravar músicas com letras bem construídas e até poéticas. É o caso, por exemplo, da dupla Victor e Léo.
    O que deve ser julgado é o sucesso que faz uma letra de música que é capaz de dizer que uma mulher é “uma cachorra criminosa e que eu amo tanto!”.
    Questionar, portanto, que tipo de valor a mulher tem empregado a ela é o primeiro passo para compreender qual é a dimensão da sociedade feminina.
    O fato mais grave não é o fato de uma letra de música desse tipo existir e ser gravada por alguém. Há exemplos que garantem que letras piores já foram escritas: quem não se lembra da “éguinha Pocotó”?
    A atenção deve estar voltada para o sucesso que essas músicas têm feito no público feminino. Mulheres que se sentiriam realizadas se seus namorados lhes referissem a seguinte frase: “Criminosa, não posso olhar dentro do seu olhar... bandida, você machucou meu coração”. “É uma declaração de amor”, responderiam elas.
    Considerando o tom pejorativo dos adjetivos utilizados e a forma como foram empregados, as letras podem ser consideradas como violência verbal e moral.
    Falando em violência, porque o Brasil se chocou com a violência como foi a morte a menina Eloá, assassinada pelo namorado por crime passional? E a violência verbal que tem sido dirigida às mulheres através dessas letras de músicas e das situações que podem desencadear não choca?
    Seguem as letras:
    1. Bala de Prata, Fernando e Sorocaba
    Criminosa
    Não posso olhar dentro do seu olhar,
    Bala de Prata acerta pra matar.
    Virei seu refém e não quero escapar.
    Bandida
    Você atirou em minha direção,
    E acertou no meu coração.
    Minha vida ficou na palma de suas mãos.
    Hoje cedo acordei mas sei lá uma coisa diferente em mim
    O meu corpo arranhado, suado, uma história sem começoe fim
    Ela entrou no meio da noite,
    tem a chave do meucoração
    de repente soltou seus cabelos me entreguei sem terreação.
    Estou vivendo na cela da paixão eu fui condenadopelo amor
    Ela é perigo e abrigo uma mistura de querer e dor
    Ela é um pouco do fogo e do gelo, ela é sol é chuva deverão
    O seu charme me fez prisioneiro invadiu de vez meu coração.
    2. Canalha, Christian e Ralph
    Hei, você que passa tão bela
    Não direi nem se quer o que de você espero
    Hei, vem aqui me dar um beijo
    Quero de perto sentir esse seu cheiro
    Hei, vem aqui me dar um abraço
    Não sabe como é duro ter cansaço
    De esperar
    Você dizer
    Se você quiser
    É claro o meu amor por você
    Canalha, cretina, mal criada, amiga
    Sem vergonha, carente, apaixonada, doente
    Minha vida, meu desgosto, meu cansaço, meu sufoco, minha querida
    Meu coração, você é perfeita
    Sem defeito
    Você é minha ilusão
    Hei, nem vem dizer que você não me notou
    Naquela festa
    O que mais me interessa, não sei
    O que você olhou pra mim?
    Eu sei que sim
    Hei, nem vem dizer que passou
    Hoje eu sei que ai dentro tudo marcou
    E você nega
    Por que não passa de uma perfeita safada
    Canalha, cretina, mal criada, amiga
    Sem vergonha, carente, apaixonada, doente
    Minha vida, meu desgosto, meu cansaço, meu sufoco, minha querida
    Meu coração, você é perfeita
    Sem defeito
    Você é minha ilusão



  • Prezado Valdomiro Lopes, 6:30 pm | 16 Oct
    Sou eleitora da cidade de São José do Rio Preto. Identifico-me com política e desde que completei a idade necessária para votar tenho acompanhado as eleições e suas respectivas campanhas. Não me refiro somente às municipais, mas também às federais e estaduais.
    Gostaria de cumprimentá-lo por sua campanha eleitoral à prefeitura de Rio Preto. Foi bem produzida desde o início, com boas inserções no horário nobre da TV. Soube utilizar bem os apresentadores – muito competentes.
    Mas não posso deixar de fazer algumas considerações sobre o andamento da campanha. Considerando que o tempo concedido à sua coligação no horário político obrigatório é significativamente maior que o tempo que foi concedido aos outros candidatos, era quase que inaceitável que a sua campanha fosse ruim ou mal produzida.
    Uma campanha que começou muito bem articulada, divertida e convincente. Mas – para sua sorte ou azar –, Orlando Bolçoni, adversário apoiado pela prefeitura, usou a campanha dele para fazer ataques contra a sua candidatura.
    Não sei se os outros eleitores da cidade perceberam com eu, mas a partir dos ataques do adversário, não se ouviu mais propostas de governo. A campanha tornou-se a defesa do senhor perante aos outros candidatos. Nos debates, sua participação foi insossa se comparada à de outros candidatos de representatividade bem menor.
    Pois bem, o resultado das urnas no dia cinco de outubro levou-o ao segundo turno, acompanhado por João Paulo Rillo (um dos candidatos que se destacaram nos debates).
    E pior! Para a grande surpresa de seus assessores o resultado da última pesquisa de boca de urna coloca Rillo em primeiro lugar.



  • Tempo 10:26 pm | 15 Oct
    Medidas padrões orientam a vida do mundo. Quilo, metro, centímetro, litro e segundo. Até o tempo pode ser padronizado e imposto a humanidade por medidas físicas e matemáticas. Ele não é mais do que isso.
    É estranho imaginar que o mesmo tempo que rege a mi nhá vida é o mesmo que orienta a sua, a do seu vizinho, a do seu cachorro e a da planta no jardim.
    Estranho também é perceber que o mundo se tornou refém das horas que passam no relógio. E o relógio, objeto sempre presente – muito mais comum que uma balança ou uma fita métrica – faz questão de lembrar quem é que manda.
    Na verdade, nem sempre é ele que manda. Algumas pessoas – poucas, aliás – conseguem manter-se fora do controle dos segundos. Ao contrário da maioria da humanidade, que parece nunca ter tempo livre – esses poucos rebeldes o têm sempre, apesar de fazer as mesmas tarefas que todas as outras.
    Pode ser que o segredo de quem sempre tem tempo é desejar ter tempo. Você nunca vai ouvir de uma dessas pessoas: “Me peça cem reais, mas não me peça cinco minutos”.
    A atitude dessa pessoa será diferente. Ao pedir a ela cinco minutos de seu tempo, ela vai se sentar ao seu lado e lhe ouvir por cinco minutos. Durante esse tempo, se manterá exatamente naquele lugar, ouvindo e falando com você. Todos os seus pensamentos estarão concentrados naquele momento. Ela não vai desejar estar em outro lugar. Assim como quando estiver trabalhando, brincando, amando, comendo ou dormindo.
    O tempo não vai se multiplicar. O dia continuará a ter 24 horas, de 60 segundos cada um de seus 60 minutos. Mas serão minutos completos e vividos.

    O horário do almoço acabou. Vou voltar ao trabalho. Até breve.



  • Olimpíadas do Partido Comunista Chinês 10:18 pm | 17 Aug
    As Olimpíadas de Pequim são um marco na história dos jogos. É a edição mais cara e mais desenvolvida tecnologicamente da História. Os meios de comunicação têm divulgado constantemente as inovações de Pequim. De fato, tudo bem construído e planejado. A cobertura que a Rede Globo, por exemplo, tem dado à China desde o começo do ano mostrou muitas características deste país.
    A China é o terceiro maior país do mundo em extensão territorial (considerando o Alasca como território norte-americano), os primeiros registros históricos humanos datam do século XVIII a.C., tornou-se uma República em 1911 e é o país que mais cresce economicamente no mundo, com percentual de 10% ao ano.
    Em comparação ao Brasil, que se tornou República em 1889, tem um crescimento econômico pífio se comparado ao chinês.
    Mas o mundo (e principalmente os brasileiros) precisa tomar cuidado ao comparar os dois países, principalmente em dias de Olimpíadas.
    Apesar da abertura às relações capitalistas, com o surgimento das Zonas Especiais de Comércio, a China é um país ditatorial comunista desde 1949. E até hoje permanece República Popular da China.
    De acordo com o economista austríaco Friedrich Hayek, especialista no moderno liberalismo, “os países e as instituições valem pelo grau de liberdade individual que geram.”.
    Em 1989 o Partido Comunista Chinês “perdia” seu principal aliado, a URSS, responsável pelo sustento da China enquanto esta mantinha suas relações comercias isoladas aos países capitalistas.
    No mesmo ano, durante um desfile militar, um jovem rebelde colocou-se a frente de um dos tanques de guerra em protesto ao regime ditatorial. No dia seguinte, a foto do rapaz foi capa de diversos jornais e revistas em todo o mundo como um símbolo do protesto da população chinesa. Dentro do país, a mesma foto circulou nas publicações oficiais como um símbolo da competência militar chinesa ao não machucar o homem que se colocou de frente às armas.
    Há 19 anos a manipulação e distorção das informações publicadas nos meios de comunicação foram capazes de persuadir uma população inteira, enquanto o restante do mundo via a verdade. Neste ano, os meios de comunicação podem persuadir o resto do mundo sobre as belezas chinesas, enquanto a população chinesa vive ainda um regime ditatorial e militar.

    Será que todo o mundo se esqueceu (ou fingiu) que a China tem controle de natalidade? E que o governo chinês permite que cada mulher tenha, no máximo, um filho? E que ao nascerem filhas mulheres a população é obrigada a matar as próprias filhas para não sofrerem nas mãos do governo?
    Será que todo o mundo não sabe que as únicas regiões desenvolvidas da China são as regiões da metrópole de Pequim? E que o restante do território é rural com índices de desenvolvimento menores que o do Brasil?



  • Raves 12:11 am | 22 May



    Neste fim de semana (17/05) foi realizada a primeira edição da Gathering, festa rave que aconteceu na Parinha Grande de Mirassol, na região de São Jose do Rio Preto. Foram mais de 20 horas de festa, da madrugada do sábado até a noite do domingo.
    Geralmente realizadas em locais abertos, como chácaras ou sítios, raves são festas de música eletrônica de várias vertentes, embaladas pela apresentação de DJs e VJs de diversos lugares e performances de pirofagia, e tecido, por exemplo. São conhecidas como festas em que se busca liberdade, som de qualidade e união entre tecnologia e natureza. Por esse motivo, de acordo com os participantes, quase não há brigas. “Em 2 anos que freqüento as festas nunca vi nenhuma briga”, diz Fabrício Mateus Sanches, 21 anos. De acordo com os freqüentadores, quem gosta desse tipo de festa procura se divertir, reencontrar velhos amigos e fazer novas amizades.


    As organizações das festas, dependendo da época do ano, pedem como parte do convite, 1 quilo de alimentos não-perecíveis ou agasalhos para doação aos projetos assistenciais.
    Muitas empresas que reconhecem a liberdade das festas promovem algumas delas, como o TIM Music Festival ou o Skol Beats, conhecidas em todo o país.
    Em eventos como este, de acordo com a Polícia Militar, são muito comuns a incidência de consumo e tráfico de drogas, principalmente o Ecstasy e LSD.
    Um paradigma presente nas discussões sobre a realização de raves não só em Rio Preto. Os participantes e organizadores das festas assumem que o consumo é real. “Existe sim o uso e em alguns casos o tráfico (de drogas), mas não é apenas em festas de música eletrônica”, diz Riad Omari, organizador de eventos e com mais de 17 anos de experiência. Assim como ele, os participantes têm um pensamento muito semelhante, mas defendem as festas. “Em que lugar que não tem drogas? Na porta da escola tem, em rodeios tem muita droga e também maus-tratos aos animais, no show de regae; todo lugar tem”, diz Victor Hugo Oliveira, 22 anos. Vinícius Viana, de 19 anos, afirma: “Em qualquer lugar existe droga e todo mundo sabe disso. Se eu disser que não, estou sendo hipócrita”.
    Carlos Civilate Junior, organizador de grandes festas, como a Xxxperience e a Tribaltech, diz: “É justamente a falta de profissionalismo que acaba denegrindo a imagem das raves”. Por isso, algumas ações têm sido tomadas para evitar o tráfico.
    No Paraná, o deputado Fábio Camargo apresentou ao Comitê de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa um projeto de lei para a regulamentação das festas de música eletrônica. O projeto prevê que todas as festas sejam realizadas mediante a entrega de uma documentação e que sejam autorizadas apenas as que têm inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica. Propõe ainda que a organização da festa deva contratar uma empresa de segurança cadastrada na Polícia Federal e que todas as pessoas devam ser revistadas na entrada do evento. O projeto apresentado no Paraná estipula a duração das festas em 15 horas e que 5% da arrecadação sejam revertidos a projetos sociais.
    Os freqüentadores de raves afirmam que proibir não surtiria efeito. “Droga é proibido e existe. Roubar é proibido e até político rouba. O problema não está nas festas, mas na aplicação das leis. A proibição nunca é a solução. O som nunca vai parar; a festa nunca vai acabar”, diz Victor Hugo. Ele, que freqüenta raves há 4 anos, diz que em grandes festas e festivais já existe controle, como postos da Polícia Federal e parceria com as prefeituras para a liberação do alvará de funcionamento das festas.

    As drogas

    A maior parte das apreensões realizadas nesse tipo de festa é de drogas sintéticas. Produzidas em laboratório, elas têm efeitos alucinógenos, aumento da freqüência cardíaca e da pressão arterial. Por ter efeito estimulante, o Ecstasy, cujo principal componente é o MDMA.
    De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, o consumo da droga pode causar também hipertermia, sensação de medo, ataques de pânico, psicoses e alucinações visuais, boca seca, náusea, sudorese e euforia. O LSD teria basicamente os mesmos efeitos.
    Ainda segundo a Associação, os efeitos da droga no cérebro podem variar de acordo com o indivíduo e o local onde é consumida. O LSD pode causar excitação e atividade em uns e ilusões assustadoras e sensação de pânico em outros. Do ponto de vista físico, a Associação diz que são raros os casos de convulsão e que mesmo doses muito grandes da droga não chegam a intoxicar seriamente uma pessoa.
    Equipes médicas internas nas festas de música eletrônica são requisito para a liberação ao alvará de funcionamento do evento.



 

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